Bola de neve de dívidas

Entrei numa bola de neve de dívidas, e agora?

Você tem ou já teve dívidas? E você se lembra como entrou no vermelho? Não? Acredite, você não está sozinho! A maioria das pessoas não se lembra qual foi o primeiro passo para entrar na bola de neve de dívidas.

É bem verdade que ninguém gosta de ficar no vermelho. Nada pior que a sensação de chegar no fim do mês sem grana nem para o cafezinho e com a preocupação constante de descobrir como fazer o dinheiro dar para tudo.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), apurada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), cerca de 58% da população brasileira está endividada. A maioria das pessoas entra na bola de neve de dívidas principalmente por algum desses motivos: grande desembolso imprevisto, falência ou má gestão financeira. Vamos entender melhor!

Motivos recorrentes de endividamento

Grande desembolso imprevisto

Basicamente, é a necessidade inesperada de desembolsar uma grande quantidade de dinheiro. No caso de uma doença, por exemplo, ou auxílio a algum familiar. São situações que não podemos prever e podem desencadear o processo de endividamento.

É bom lembrar que sempre devemos poupar parte da nossa remuneração mensal para estarmos amparados nessas situações. Fazendo isso, as chances de se endividar diminuem consideravelmente.

Falência

Outra situação que pode gerar um quadro de dívidas é a falência. Em muitos lares, o sustento provém de uma empresa familiar. Se esta empresa passa por dificuldades financeiras ou chega ao ponto de declarar falência, o orçamento familiar fica extremamente comprometido.

Nesses casos, vale a mesma dica do caso anterior: poupança para emergências. E, também, ficar sempre de olho nas contas da empresa.

Má gestão financeira

Dentre os motivos citados, este é o que, com mais frequência, leva ao redemoinho das dívidas. Como você deve imaginar, a má gestão financeira se dá quando: não se consegue organizar as finanças e controlar as despesas, não há clareza sobre economia doméstica e comete-se erros de orçamento.

Você consegue identificar quais erros de orçamento e gestão financeira já cometeu? Veja abaixo algumas situações que você deve evitar a todo custo!

Erros que te levam à bola de neve de dívidas

#1 Cartão de crédito – pagamento mínimo

Não, ter cartão de crédito não é o maior pecado. Na verdade, se bem utilizado pode até trazer benefícios e ajudar a girar melhor seu dinheiro. O problema do cartão de crédito é o mau uso. E no topo dos usos errados do cartão de crédito está o pagamento mínimo da fatura.

É bastante tentador, eu sei. Chega a fatura e, aquele mês que a grana está curta, parece que tem até sinalizadores, pisca-piscas, apontando para o lugarzinho escrito “pagamento mínimo”. Mas, esta é uma péssima opção, entenda porque: a taxa média do juros rotativo do cartão de crédito é de 14,4% a.m. Para você ter uma ideia da gravidade do problema: no banco de menor taxa de juros, sua dívida triplica após um ano!

A PEIC apontou que 77% das dívidas dos brasileiros são oriundas do cartão de crédito. O segundo lugar, com apenas 15%, estão os carnês. Ou seja, este tipo de dívida é 3 vezes maior do que todos os outros tipos juntos!

#2 Cheque especial

O cheque especial nada mais é do que um crédito ESPECIAL. Decore isso e tudo dará certo!

Ou seja, não é um crédito para ser usado todo mês, não é uma grana extra que você usufrui gratuitamente, não é para ser corriqueiro. É para uma ocasião especial! É para ser usado em casos de extrema necessidade.

Para gravar: sua remuneração não é salário + cheque especial. É só salário!

Faça suas despesas levando em consideração só o que você ganha. Elimine aquela vozinha que fala lá no fundo “ah, vou usar só esse mês” ou “ah, se o salário não der, uso o cheque especial, mês que vem eu pago”. Isso te faz ficar refém de uma remuneração que não é sua e ter que pagar juros altos todos os meses.

#3 Financiamentos de longo prazo com juros altos

Em toda negociação de financiamento, seja ela de imóvel ou veículo, ou empréstimo pessoal, fique atento às taxas de juros. Como são despesas de longo prazo, qualquer oscilação na taxa de juros impacta o valor total que você gasta.

A PEIC aponta que, somadas, as dívidas de financiamento de imóvel e de veículo chegam a 20% das dívidas dos brasileiros. Se você tiver um financiamento com taxa de juros acima da média de mercado para a modalidade, corra para o banco e renegocie imediatamente. 0,5% a menos pode fazer uma diferença enorme no final.

Fique sempre de olho nessas dicas. Tente ao máximo andar na linha e não cometer esses erros. Dessa forma, você fará uma boa gestão do seu dinheiro e não vai perder a cabeça com as dívidas, muito menos entrar numa (temida) bola de neve de dívidas!

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